Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2013

de facto, há muito que não escrevo por aqui.., apenas porque tudo foi dito, tudo se cumpriu. mais rapidamente do que esperava, o país faliu, e como se de um arrastão se tratasse, tudo nos foi levado.

espero que, ao menos agora e perante a realidade, possam compreender o porquê das coisas.

passem bem!

Quinta-feira, 7 de Junho de 2012

Há alguns incompetentes, mas poucos inocentes

por Miguel Sousa Tavares – Expresso


Como caixa de ressonância daqueles que de quem é porta-voz (tendo há muito deixado de ter voz própria), o presidente da Comissão Europeia, o português Durão Barroso, veio alinhar-se com os conselhos da troika sobre Portugal: não há outro caminho que não o de seguir a “solução” da austeridade e acelerar as “reformas estruturais” — descer os custos salariais, liberalizar mais ainda os despedimentos e diminuir o alcance do subsídio de desemprego. Que o trio formado pelo careca, o etíope e o alemão ignorem que em Portugal se está a oferecer 650 euros de ordenado a um engenheiro electrotécnico falando três línguas estrangeiras ou 580 euros a um dentista em horário completo, é mais ou menos compreensível para quem os portugueses são uma abstracção matemática. Mas que um português, colocado nos altos círculos europeus e instalado nos seus hábitos, também ache que um dos nossos problemas principais são os ordenados elevados, já não é admissível. Lembremo-nos disto quando ele por aí vier candidatar-se a Presidente da República.


Durão Barroso é uma espécie de cata-vento da impotência e incompetência dos dirigentes europeus. Todas as semanas ele cheira o vento e vira-se para o lado de onde ele sopra: se os srs. Monti, Draghi, Van Rompuy se mostram vagamente preocupados com o crescimento e o emprego, lá, no alto do edifício europeu, o cata-vento aponta a direcção; se, porém, na semana seguinte, os mesmos senhores mais a srª Merkel repetem que não há vida sem austeridade, recessão e desemprego, o cata-vento vira 180 graus e passa a indicar a direcção oposta. Quando um dia se fizer a triste história destes anos de suicídio europeu, haveremos de perguntar como é que a Europa foi governada e destruída por um clube fechado de irresponsáveis, sem uma direcção, uma ideia, um projecto lógico. Como é que se começou por brincar ao directório castigador para com a Grécia para acabar a fazer implodir tudo em volta. Como é que se conseguiu levar a Lei de Murphy até ao absoluto, fazendo com que tudo o que podia correr mal tivesse corrido mal: o contágio do subprime americano na banca europeia, que era afirmadamente inviável e que estoirou com a Islândia e a Irlanda e colocou a Inglaterra de joelhos; a falência final da Grécia, submetida a um castigo tão exemplar e tão inteligente que só lhe restou a alternativa de negociar com as máfias russas e as Three Gorges chinesas; como é que a tão longamente prevista explosão da bolha imobiliária espanhola acabou por rebentar na cara dos que juravam que a Espanha aguentaria isso e muito mais; como é que as agências de notação, os mercados e a Goldman Sachs puderam livremente atacar a dívida soberana de todos os Estados europeus, excepto a Alemanha, numa estratégia concertada de cerco ao euro, que finalmente tornou toda a Europa insolvente. Ou como é que um pequeno país, como Portugal, experimentou uma receita jamais vista — a de tentar salvar as finanças públicas através da ruína da economia — e que, oh, espanto, produziu o resultado mais provável: arruinou uma coisa e outra. E como é que, no final de tudo isto, as periferias implodiram e só o centro — isto é, a Alemanha e seus satélites — se viu coberto de mercadorias que os seus parceiros europeus não tinham como comprar e atulhado em triliões de euros depositados pelos pobres e desesperados e que lhes puderam servir para comprar tudo, desde as ilhas gregas à água que os portugueses bebiam.


Deixemos os grandes senhores da Europa entregues à sua irrecuperável estupidez e detenhamo-nos sobre o nosso pequeno e infeliz exemplo, que nos serve para perceber que nada aconteceu por acaso, mas sim porque umas vezes a incompetência foi demasiada e outras a inocência foi de menos.


O que podemos nós pensar quando o ex-ministro Teixeira dos Santos ainda consegue jurar que havia um risco sistémico de contágio se não se nacionalizasse aquele covil de bandidos do BPN? Será que todo o restante sistema bancário também assentava na fraude, na evasão fiscal, nos negócios inconfessáveis para amigos, nos bancos-fantasmas em Cabo Verde para esconder dinheiro e toda a restante série de traficâncias que de há muito — de há muito! — se sabia existirem no BPN? E como, com que fundamento, com que ciência, pode continuar a sustentar que a alternativa de encerrar, pura e simplesmente, aquele vão de escada “faria recuar a economia 4%”? Ou que era previsível que a conta da nacionalização para os contribuintes não fosse além dos 700 milhões de euros?


O que poderemos nós pensar quando descobrimos que à despesa declarada e à dívida ocultada pelo dr. Jardim ainda há a somar as facturas escondidas debaixo do tapete, emitidas pelos empreiteiros amigos da “autonomia” e a quem ele prometia conseguir pagar, assim que os ventos de Lisboa lhe soprassem mais favoravelmente?


O que poderemos nós pensar quando, depois de tantos anos a exigir o fim das SCUT, descobrimos que, afinal, o fim das auto-estradas sem portagens ainda iria conseguir sair mais caro ao Estado? Como poderíamos adivinhar que havia uns contratos secretos, escondidos do Tribunal de Contas, em que o Estado garantia aos concessionários das PPP que ganhariam sempre X sem portagens e X+Y com portagens? Mas como poderíamos adivinhá-lo se nos dizem sempre que o Estado tem de recorrer aos serviços de escritórios privados de advocacia (sempre os mesmos), porque, entre os milhares de juristas dos quadros públicos, não há uma meia dúzia que consiga redigir um contrato em que o Estado não seja sempre comido por parvo?


A troika quer reformas estruturais? Ora, imponha ao Governo que faça uma lei retroactiva — sim, retroactiva — que declare a nulidade e renegociação de todos os contratos celebrados pelo Estado com privados em que seja manifesto e reconhecido pelo Tribunal de Contas que só o Estado assumiu riscos, encaixou prejuízos sem correspondência com o negócio e fez figura de anjinho. A Constituição não deixa? Ok, estabeleça-se um imposto extraordinário de 99,9% sobre os lucros excessivos dos contratos de PPP ou outros celebrados com o Estado. Eu conheço vários.
Quer outra reforma, não sei se estrutural ou conjuntural, mas, pelo menos, moral? Obrigue os bancos a aplicarem todo o dinheiro que vão buscar ao BCE a 1% de juros no financiamento da economia e das empresas viáveis e não em autocapitalização, para taparem os buracos dos negócios de favor e de influência que andaram a financiar aos grupos amigos.


Mais uma? Escrevam uma lei que estabeleça que todas as empresas de construção civil, que estão paradas por falta de obras e a despedir às dezenas de milhares, se possam dedicar à recuperação e remodelação do património urbano, público ou privado, pagando 0% de IRC nessas obras. Bruxelas não deixa? Deixa a Holanda ter um IRC que atrai para lá a sede das nossas empresas do PSI-20, mas não nos deixa baixar parte dos impostos às nossas empresas, numa situação de emergência? OK, Bruxelas que mande então fechar as empresas e despedir os trabalhadores. Cumpra-se a lei!


Outra? Proíbam as privatizações feitas segundo o modelo em moda, que consiste em privatizar a parte das empresas que dá lucro e deixar as “imparidades” a cargo do Estado: quem quiser comprar leva tudo ou não leva nada. E, já agora, que a operação financeira seja obrigatoriamente conduzida pela Caixa Geral de Depósitos (não é para isso que temos um banco público, por enquanto?). O quê, a Caixa não tem vocação ou aptidão para isso? Não me digam! Então, os administradores são pagos como privados, fazem negócios com os grandes grupos privados, até compram acções dos bancos privados e não são capazes de fazer o que os privados fazem? E, quanto à engenharia jurídica, atenta a reiterada falta de vocação e de aptidão dos serviços contratados em outsourcing para defenderem os interesses do cliente Estado, a troika que nos mande uma equipa de juristas para ensinar como se faz.


Tenho muitas mais ideias, algumas tão ingénuas como estas, mas nenhumas tão prejudiciais como aquelas com que nos têm governado. A próxima vez que o careca, o etíope e o alemão cá vierem, estou disponível para tomar um cafezinho com eles no Ritz. Pago eu, porque não tenho dinheiro para os juros que eles cobram se lhes ficar a dever.

Sábado, 2 de Junho de 2012

hoje enviado à AdRA e à CNPD

Exmos Senhores,

conjuntamente com a factura (paga por débito directo) recebi um formulário de uma pretensa actualização de dados que devo preencher e devolver à AdRA, sob pena de ser responsabilizado por danos ou prejuízos decorrentes da não actualização dos meus dados de cliente (sic).

É pouco compreensível que um fornecedor de serviços que cobra mensalmente, e corta de imediato o referido fornecimento em caso de não pagamento venha responsabilizar os clientes pelas suas próprias insuficiências, já agora, de forma ameaçadora.

É ainda menos compreensível que venha solicitar informações patrimoniais como, envio de cópia do registo predial ou certidão do teor matricial e, no caso de arrendatário, cópia do contrato de arrendamento.

Por acaso, julgam-se os senhores a administração fiscal? Têm os senhores a devida autorização da CNPD para colectar dados patrimoniais dos cliente a quem vendem um produto que é pertença desses mesmos clientes? A água é um bem essencial, património de todos nós e não um bem propriedade da AdRA, ela mesmo, sustentada por todos nós.

Da minha parte, a actualização de dados está feita; pago por desconto directo na conta bancária e os senhores, ou são simplesmente atrevidos, ou andam a dar largas à imaginação.

Como duvido da legalidade e transparência desta pretensa actualização, solicito à Comissão Nacional de Protecção de Dados que se pronuncie quanto à ética e legalidade da situação e, caso seja ilegal ou éticamente condenável, que tome as devidas medidas.

Cordialmente,

Abel Cunha

BI XXXXXXX

Quinta-feira, 31 de Maio de 2012

o novo nazismo

falei aqui de um plano óbvio para eliminar alguns milhares de idosos e com eles as despesas sociais subjacentes. se ainda tinham alguma dúvida, eis a prova.

estes miseráveis que decidem deixar-Vos morrer, foram eleitos por vós. estes miseráveis que roubaram o país e hoje vivem confortavelmente em Paris, Cabo Verde ou qualquer outra parte do mundo, estão confiantes que nunca prestarão contas dos seus crimes. a ver vamos.

das excursões ao santoinho

por aqui muito se falou da cova cavada pelas autarquias que em muito contribuiu para a actual falência económica.

chegou a factura. é pagar.

Terça-feira, 8 de Maio de 2012

boas notícias

para a corrupção.

Quarta-feira, 18 de Abril de 2012

sinais dos tempos

é difícil de aceitar e uma desonra ao passado de alguns. gente que lutou por uma outra vida, vem agora cantar à caridade, à esmola, à distribuição dos desperdícios, pelos portugueses que passam dificuldades. também estes cantautores se renderam aos benefícios que pagam os vendidos, tudo isto sobre o alto patrocínio dessa imensa nulidade que ocupa a dita presidência desta república de bananas, governada por sacanas, como diria el rei D. Carlos I.

Segunda-feira, 16 de Abril de 2012

menos cavaco e mais mar

Da crónica de João Quadros no Negócio On-Line:


"Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) demonstram que o Pingo Doce (da Jerónimo Martins) e o Modelo Continente (do grupo Sonae) estão entre os maiores importadores portugueses."


Porque é que estes dados não me causam admiração? Talvez porque, e...sta semana, tive a oportunidade de verificar que a zona de frescos dos supermercados parece uns jogos sem fronteiras de pescado e marisco. Uma ONU do ultra-congelado. Eu explico.
Por alto, vi: camarão do Equador, burrié da Irlanda, perca egípcia, sapateira de Madagáscar, polvo marroquino, berbigão das Fidji, abrótea do Haiti? Uma pessoa chega a sentir vergonha por haver marisco mais viajado que nós. Eu não tenho vontade de comer uma abrótea que veio do Haiti ou um berbigão que veio das exóticas Fidji. Para mim, tudo o que fica a mais de 2.000 quilómetros de casa é exótico. Eu sou curioso, tenho vontade de falar com o berbigão, tenho curiosidade de saber como é que é o país dele, se a água é quente, se tem irmãs, etc.


Vamos lá ver. Uma pessoa vai ao supermercado comprar duas cabeças de pescada, não tem de sentir que não conhece o mundo. Não é saudável ter inveja de uma gamba. Uma dona de casa vai fazer compras e fica a chorar junto do linguado de Cuba, porque se lembra que foi tão feliz na lua-de-mel em Havana e agora já nem a Badajoz vai. Não se faz. E é desagradável constatar que o tamboril (da Escócia) fez mais quilómetros para ali chegar que os que vamos fazer durante todo o ano. Há quem acabe por levar peixe-espada do Quénia só para ter alguém interessante e viajado lá em casa. Eu vi perca egípcia em Telheiras? fica estranho. Perca egípcia soa a Hercule Poirot e Morte no Nilo. A minha mãe olha para uma perca egípcia e esquece que está num supermercado e imagina-se no Museu do Cairo e esquece-se das compras. Fica ali a sonhar, no gelo, capaz de se constipar.


Deixei para o fim o polvo marroquino. É complicado pedir polvo marroquino, assim às claras. Eu não consigo perguntar: "tem polvo marroquino?", sem olhar à volta a ver se vem lá polícia. "Queria quinhentos de polvo marroquino" - tem de ser dito em voz mais baixa e rouca. Acabei por optar por robalo de Chernobyl para o almoço. Não há nada como umas coxinhas de robalo de Chernobyl.


Eu, às vezes penso: o que não poupávamos se Portugal tivesse mar.

Quinta-feira, 12 de Abril de 2012

e o trabalho que isso dá?

mansos e felizes, sentados há 40 anos vão agora levantarem-se por causa da privatização da água. ainda se fosse do vinho.

e também se declara, para os devidos efeitos, que os azeiteiros nunca misturaram qualquer bodega nos ditos

hoje é um dia que deveria deixar os portugueses com um sorriso de orelha a orelha. provou-se em tribunal que o país está limpo de corrupção. pelos vistos, o único corrupto que mora por cá, é um amolador de tesouras sem morada conhecida que, por artes do diabo, conseguiu fazer publicar no pasquim do governo, uma lei que proibia o abate de sobreiros, um verdadeiro atentado ao progresso económico, e às boas contas caladas, um erro que, felizmente, os tribunais souberam corrigir.

Domingo, 8 de Abril de 2012

votemos nos filhos

num destes dias, passava na televisão mais um daqueles impagáveis episódios de um qualquer frente a frente com interpretação das donas roseta e caeiro, acompanhadas do senhor crespo.

sem considerações ao contributo das ditas ao estado do país, avisava a segunda, prevenindo e contraindo o ânus contra alguma hipotética insurreição dos cornos mansos, que para os insurretos gregos, por estes terem saído à rua, a coisa tinha corrido mal.

ninguém perguntou à madame, para quem tinha a coisa corrido mal? para o povo grego? ou para os especuladores que, e para já, tiveram de esquecer metade da dívida? esta país é uma comédia permanentemente em cena e cujos actores envergonham as putas do intendente.

vigaristas

somos um povo de inconsequentes e inimputáveis. os fundos de pensões, geridos ao sabor de interesses inconfessáveis, oportunismos partidários, investimentos ruinosos como o imobiliário onde a ss enterrou e delapidou muitos milhões de contos, a compra de dívida de países falidos, entre os quais o nosso, investimentos em acções que perderam todo o valor, são apenas alguns exemplos da desbunda com que também estes dinheiros públicos, têm sido delapidados.

claro que ninguém é responsável, ninguém será responsabilizado, somos uma nação de cornos mansos. vamos confortar-nos com os sucessivos cortes nas prestações sociais e, em períodos eleitorais, passear aos ombros todos estes vigaristas que arruínam o país.

Segunda-feira, 26 de Março de 2012

os canalhas, fazem-se de pequeninos

a canalha da jsd, teve esta imagem publicada no facebook. esta canalha, ainda com fraldas borradas e ranho no nariz, cujo feito único foi ter vivido à conta dos ditos direitos adquiridos, foi alimentada, tratada, cuidada e ilustrada, através dos ditos direitos. até hoje, produziu bosta, ranho, e preciosidades desta natureza.

526481_355409774501820_174180702624729_1012651_1752369510_n

Sexta-feira, 23 de Março de 2012

a psp está a investigar

adivinham-se e antecipam-se as conclusões.

a polícia foi provocada e posteriormente, agredida.

a carga policial sobre os cidadãos foi em legítima defesa.

os manifestantes estavam armados até aos dentes e representavam uma série ameaça à ordem pública.

o preceito constitucional garante do direito de manifestação, foi abolido.

foi bem feito. da próxima vez cada cidadão deve vestir um colete que informe do motivo pelo qual se encontra na rua.

Os gajos estavam mesmo a pedi-las.

e como a psp está a investigar, por acaso, a pgr, não têm nada a fazer? o infeliz das polícias, está no congresso da seita e não tem tempo para se preocupar com direitos, liberdades e garantias do gado? aquele triste a quem assaltaram a bomba de gasolina, engasgou-se outra vez com bolo-rei?

Quinta-feira, 22 de Março de 2012

estes autarcas são impagáveis

a propósito deste folclore (manif em defesa das freguesias) tardio e seguramente, inconsequente, resta saber se os nossos autarcas locais já requisitaram o respectivo autocarro para transportar as forças vivas do concelho à grande manif em defesa, mais do que das freguesias, diria.., dos fregueses.

ao que se diz, os nossos futuros patrícios do povoado vizinho de fermelã, já decidiram a agregação a canelas, demitindo-se da contestação, com o espantoso argumento de que isso é coisa de comunistas. ou seja, não se luta pela manutenção da junta, porque é coisa de comunistas!

não se reivindica a manutenção da única estrutura de poder que está efectivamente ao serviço do povo, porque é coisa de comunista. não se serve o povo que elegeu este poder próximo, porque é coisa de comunista.

com gente desta, de facto, não se vai a lado nenhum. a carrinha do traqueia é mais que suficiente.

pois..,

…,em Portugal nem os que governam, nem os que fazem oposição actuarem a pensarem no povo. Mais do que correntes políticas ou de pensamento a política ou o sindicalismo em Portugal está nas mãos de seitas e estas actuam em função dos seus próprios interesses. Em Portugal a política é feita com alianças estranhas, favores e negócios sujos, vaidades pessoais

Segunda-feira, 19 de Março de 2012

o regulador

cabe ao regulador pronunciar-se… lembram-se da galp ter sido entregue quase como prenda, ao amorim das rolhas, em nome da livre concorrência e dos benefícios do mercado? a situação actual, a especulação sem controle de que somos vítimas, pelos vistos, é culpa do regulador.

a criatura que assim fala, prepara-se para alienar outra empresa pública estratégica, a favor do patrão que lhe deu empregos no lixo, a águas de portugal. ficamos a saber de antemão que quando o preço da água se equiparar ao da gasolina, caberá ao respectivo regulador, pronunciar-se.

como nós deixamos…, merecemos.

Quinta-feira, 8 de Março de 2012

terceiro mundismo

Tudo isto diz do país que somos, e dos governos que temos:

vende-se ao desbarato o que dá lucro, ainda que para isso se pare o país pelo custo da energia. carrega-se o contribuinte para manter o que dá prejuízo.

Segunda-feira, 5 de Março de 2012

achegas para uma unificação

caneferme. uma freguesia, dois cemitérios. 3000 almas (de)penadas, na borda do antuã plantadas.

Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012

vai haver fueirada, isso é certinho!

ainda a propósito de mais uma palhaçada lançada para distrair os trolhas com preocupantes questões de lana caprina, enquanto lhes metem as mãozinhas até ás ligas, nestas paróquias do sítio de estarreja, é hora de afiar as facas, tirar os fueiros das carroças e, amanhar uns marmeleiros porque a coisa vai ser rija. a questão de fundo, é que o sítio no seu todo, não passa de uma pequena junta de freguesia, ainda que mantenha uma câmara municipal com trezentos funcionários, entidade que não serve p’ra um c*****o mas, que dá jobs, mordomias e os complementos habituais decorrentes destas coisas. logo, não é p’ra se mexer.

justamente e para sustentar a coisa, em contrapartida, fecham-se as escolas locais, encerram-se as extensões de saúde, e forjam-se as necessárias condições para desertificar estes locais. as juntas de freguesia, que para os trolhas residentes é o único órgão de poder efectivamente útil, a custos despicientes, encerram-se igualmente até porque um povoado sem escola e sem posto médico vai precisar de uma junta de freguesia para quê? a isto acresce ainda uma razão de saúde pública - tal como o carnaval -  que é a necessidade de obrigar os velhos a fazer umas valentes caminhadas sempre que necessitem de uma prova de vida ou, inscreverem-se para o passeio anual à malafaia.

logo, põe-se a grave questão de saber onde ficará a junta dessa nova superfreguesia de 3.000 almas – canaferme, se não se importam. em território fermelanense ou canelense? ou atira-se moeda ao ar e fica na que ganhar mantendo-se a outra como extensão? e o enclave do roxico? mantém-se independente? se assim for, faria todo o sentido criar a futura junta de freguesia em território neutro, até porque ficaria a meio caminho e em menos de meia hora através dos montes, qualquer velho chegaria ao local. proponho mesmo e desde já a designação de roxicanaferme para o novo superpovoado.

uma coisa é certa. canelas não se vai deixar enrolar pelos panhonhas de fermelã, uns gajos que não têm um apeadeiro, um pavilhão multiusos, um parque infantil, um esteiro, nem qualquer outra merda com jeito. não nos vamos sujeitar a caminhos tão perigosos cheios de tascas, cafés e merda de vaca por todo o lado, até porque o único polo de trabalho sério que havia pelo caminho, encerrou por abate do pinheiral.

Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012

é preciso dizer NÃO!

a questão da eliminação das freguesias, é simples de entender. dificultar a vida aos cidadãos. integra-se num todo maquiavélico que vai aliviar as contas públicas através da morte de muitos milhares de idosos que deixam assim de ser um encargo em pensões, reformas e cuidados médicos e de saúde. em cinco dos dias da passada semana, foram-se 3.000.

o politicamente correcto em que o país se transformou, apenas esconde a cobardia das gentes que o habitam, incapaz de lutar pelo seu presente, pelo futuro dos seus filhos, incapaz de dizer a esta garotagem que se apossou do país, para ir mudar a fralda, que já cheira mal.

o estado a que chegámos, não se altera com reuniões, nem comissões, nem ajuntamentos pacíficos de ultima hora. a decisões que afectam gravemente a vida de todos nós, que não servem o interesse dos portugueses, que não poupam um cêntimo ao oge, que carecem da legitimidade do interesse colectivo, diz-se NÃO. na rua, e de pau na mão!

parece que o plano de exterminação…,

está a correr bem. 3000 idosos em 5 dias.., é obra que se veja. Foi o frio, dizem. Não tem nada a ver com os baixos rendimentos destes idosos, nada a ver com o custos da energia com a qual se deveriam aquecer, nada a ver com a crescente inacessibilidade aos cuidados médicos, nada a ver com o alto custo dos medicamentos. Foi o frio.

matam-se 10 manhosos nas estradas por via de manobras perigosas e excessos de velocidade, saem as televisões em directo e os jornais em diferido a dar conta de tamanha catástrofe. legisla-se a favor dos vendedores de pneus, aumentam-se as coimas, investe-se em viaturas e radares para as polícias. morrem 3000 portugueses vítimas das condições terceiro-mundistas em que viviam, abusados por garotagem sem escrúpulos que os roubou de tudo o que tinham…, e nem um pio. foi o frio.

Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

e para lavar o traseiro, perrier, sff

deve ser da quadra, logo não se pode levar a mal. por mim, vou rescindir o contrato com a adra, e passar a tomar banho com pedras salgadas. imagino que as bolhinhas devem ter um efeito estimulante, pelo menos, ao nível dos intelectos do bordel de são bento.

Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

entre ricos e pobres,

as diferenças não passam apenas pela competência, pela produtividade, por uma cultura de hábitos de trabalho. passam igualmente por responsabilizar os prevaricadores, independentemente da sua posição social ou cargo público.

por cá, tudo se amanha, tudo mete ao bolso o que pode, tudo trafica. o procurador geral encarrega-se de mandar destruir provas e arquivar processos.

Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012

entregues à providência divina

p

rezai para que chova e já agora, para que nos livre destas nulidades.

Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

1.575.000. ainda assim, há dúvidas quanto à legalidade

gataunagem, pura e dura. provados vigaristas nomeados pelos seus pares.

as leis, não são feitas para proteger gente honrada, como se percebe. logo, há que lançar mais austeridade sobre a populaça.

Domingo, 12 de Fevereiro de 2012

a convicção com que se luta por uma vida melhor

100.000 gregos pegam fogo a atenas. 300.000 excursionistas neste chiqueiro, não partiram um prato.

Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012

pieguices

O á-vontade, descontracção e estupidez natural, com que Merkl, e agora o presidente do Parlamento Europeu, vomitam sobre Portugal, só pode ser fruto da política de cócoras praticada por este tipo que uns portuguesinhos elegeram para chamar a Troika.

Não é aceitável que um país possa ser enxovalhado por um chefe de Estado de outro país ou instituição desta forma. E isso só é possível repito, porque... nos transformámos num país complexado, inferior, sem sentido de pátria e de consciência da sua História.

Numa situação normal essas alarvidades dariam para mandar expulsar o embaixador alemão e haver uma censura no parlamento europeu.

Estes tipos comportam-se como aquilo que são: uns usurários que se acham no direito de insultarem alguém que eles consideram caloteiro, aliás apoiados por um dito primeiro-ministro que insulta o seu povo chamando-o de piegas e calaceiro.

E também, com o apoio de um PR que se passeia pela Finlândia, continuando a dizer banalidades e a perder tempo a visitar empresas que para ele são exemplares, como a Nokia que acaba de despedir 4 mil trabalhadores, porque foi comida pelo iPhone. E reforçar a ideia de que o acordo dito de concertação social é um exemplar raro. Devia ter vergonha e respeito por quem vai ser vítima daquela acordo cavernícola.

Ou ainda enaltecendo as virtudes da pesca finlandesa, como exemplo, quando foi ele o coveiro da agricultura e da pesca em Portugal.

Ou ainda as declarações emproadas do secretário das pescas que fala uma linguagem de gestor e não de político.

A falta de carácter deste governo, bajulando a Europa e dando ao desbarato o património do país a ditaduras só podia dar nisto.

Mas não só o governo. A oposição do PS é tão má como a governação. É penoso ver Zorrinho a responder aquele tipo da loja Mozart, é triste ver Seguro a fazer política com lenços clinex. estamos entregues a nós próprios.

Luís Carvalho in Facebook

Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012

o inenarrável caso do pensionista que vê nos outros pensionistas, a causa de todos os problemas do país.

vi ontem um bocado de mais uma pantominice acerca do estado social e mais concretamente, da cruzada do medina carreira contra as pensões. nunca ouvi o senhor apontar qualquer caminho para o crescimento económico, para o desenvolvimento industrial, para a criação de riqueza. o venerável idoso, entende que a solução é poupar no papel higiénico e não, trabalhar para o poder comprar.

os gráficos de despesa com as pensões que recorrentemente apresenta enfermam de uma grave omissão. é que são elaborados a partir do valor nominal das pensões e não do montante líquido que o estado efectivamente paga e convém não esquecer que as pensões mais elevadas, são taxadas na fonte a 43% ou seja, de uma pensão dita de 5.000€, o estado devolve ao reformado – que descontou para um valor de reforma de 5.000€, o montante de 2.850€. este, é o valor efectivo que o senhor deveria usar na elaboração dos seus gráficos.

mas enfim. uns vivem a trabalhar, outros a fazerem fretes e, o senhor medina, é definitivamente um freteiro, passe o neologismo.

também convinha lembrar que os fundos de pensões têm sido usados para tudo. desde a compra de votos, até à compra de dívida pública, passando por um catastrófico negócio imobiliário em que a ss se meteu ou, compra de acções nas quais se perderam muitos milhões. claro que disso, nem ninguém fala, nem se pedem responsabilidades. faz-se passar a ideia de que os reformados são a chaga do país quando estes apenas recebem parte do que acumularam para a velhice, erradamente nas mãos de gente desonesta que gastou onde lhe apeteceu estas poupanças.

Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

venha de lá mais austeridade, porque há que sustentar a gandulagem


Presidente dos EUA recebe por ano $400.000,00 (291.290,417 Euros);
O Presidente da TAP recebeu, em 2009, 624.422,21 Euros;
O Vice-Presidente dos EUA recebe por ano $ 208.000,00 (151.471,017 Euros);
Um Vogal do Conselho de Administração da TAP recebeu 483.568,00 Euros;
O Presidente da TAP ganha por mês 55,7 anos de salário médio de cada português.

A Chanceler Ângela Merkel recebe cerca de 220.000,00 Euros por ano;
O Presidente da Caixa Geral de Depósitos recebeu 560.012,80 Euros;
O Vice-Presidente da Caixa Geral de Depósitos recebeu 558.891,00 Euros;
O Presidente da Caixa Geral de Depósitos ganha por mês 50 anos de salário médio de cada português.

O Primeiro-Ministro José Sócrates recebeu cerca de 100.000,00 Euros por ano;
O Presidente do Conselho de Administração da Parpública SGPS recebeu 249.896,78 Euros;
O Presidente do Conselho de Administração da Parpública SGPS ganha por mês 22,3 anos de salário médio de cada português.

O Presidente da República recebe cerca de 140.000,00 Euros por ano;
O Presidente do Conselho de Administração da Águas de Portugal recebeu 205.814,00 Euros;
O Presidente do Conselho de Administração da Águas de Portugal ganha por mês 18,4 anos de salário médio de cada português;

O Presidente Sarkozy recebe cerca de 250.000,00 Euros por ano;
O Presidente de Administração dos CTT - Correios de Portugal, S.A. recebeu 336.662,59 Euros;
O Presidente de Administração dos CTT ? Correios de Portugal, S.A. ganha por mês 30 anos de salário médio de cada português.

O Primeiro-Ministro David Cameron recebe cerca de 250.000,00 Euros por ano;
O Presidente do Conselho de Administração da RTP recebeu 254.314,00 Euros;

O Presidente da Assembleia da República recebe cerca de 120.000,00 Euros por ano;
O Presidente de Administração da ANA Aeroportos de Portugal SA. recebeu 189.273,92 Euros;
O Vice-Presidente de Administração da ANA Aeroportos de Portugal SA. recebeu 213.967,23 Euros.

Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012

o novo abranhos

o abranhos justifica o facto de o Governo extinguir freguesias e não extinguir municípios invocando que o Programa de Assistência Económica Financeira a Portugal não o impunha, determinado apenas a extinção de autarquias.

mas a gente sabe que não é assim. não se mexe nas autarquias pelo simples facto de que estas são centros de interesses vários, compadrios, negócios, influências, e um não acabar de tachos para familiares, amigos e a gajada do partido. é sempre preferível baixar salários, pensões, aumentar impostos e reduzir comparticipações, pelo menos, enquanto os cornos mansos o permitirem.

genocídio

o plano para a redução de uns largos milhares de idosos, pensionistas e reformados, já está a dar resultados que se vejam. caem que nem tordos.

temos esta genética tendência para a vigarice

este tipo de coisas é consequência do subdesenvolvimento em que vivemos. não fossemos um povo estúpido e permissivo, e estas atitudes teriam de imediato, a resposta que merecem.

os ctt, são o tipo de empresa que enquanto viveu na tutela do estado, fez como as outras…, deixou andar. não evoluiu, não esteve atenta à transformação do negócio, e deixou que o mercado fosse inundado de privados que fazem a distribuição mais segura e rapidamente e, em certos casos, a mais baixo custo. entretanto a correspondência por carta está a ser substituída pelo email, as facturas e extratos bancários são enviados digitalmente, as reformas e pensões depositadas nas contas dos destinatários, os pagamentos fazem-se no multibanco ou por  transferência bancária. não fossem uns milhares de idosos informaticamente analfabetos, e os ctt, em vez de despedirem 4.000, já teriam despedido todos os funcionários.

face ao decréscimo da correspondência, estes inteligentes pensaram uma forma de manter a receita, obrigando à compra de um serviço mais caro, sem lhe acrescentar qualquer valor, mas por força da redução qualitativa do serviço geral. a cabecinha que pensou esta estratégia é séria candidata a uma medalhita no próximo 10 de junho.

em vez de procurarem fazer melhor que os privados, no sentido de recuperarem o mercado, estas administrações de burros carregados de livros, vêm na folha simples do papel higiénico, a solução dos problemas. ou seja, em vez de se tornarem competitivos, pioram o serviço que já era mau. em vez de se centrarem no core buisiness, a distribuição rápida e segura de correspondência e mercadorias, encheram os tascos de livros, louças, colecções das mais variadas porcarias, a tal ponto que já não é difícil confundir um posto dos ctt com qualquer loja chinesa.

com o desaparecimento dos mais idosos, desaparecerão os ctt. quem já experimentou comprar no estrangeiro via internet, percebeu a segurança da expedição e recepção das mercadorias, bem como a facilidade de acompanhamento das encomendas que o transporte privado possibilita. por cá, quando se utiliza um serviço dos ctt, nunca se sabe onde para o bem expedido.

os 4000 agora em risco, são apenas o princípio do fim que facilmente se adivinha e, a quase obrigatoriedade de comprar o correio azul, é sol de inverno.

Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

desconheço se já mandaram o procurador abrir o respectivo inquérito…

Defender que não há direitos adquiridos é dizer que todos eles, mas todos podem ser atingidos, diminuídos ou, no limite, eliminados; ou seja, é admitir o regresso ao tempo das ocupações, das auto-gestões ou do confisco porque estamos perante direitos adquiridos alteráveis perante situações excepcionais.

Discurso do Bastonário na Abertura do Ano Judicial 2012

As gigantescas remunerações que gestores transformados em políticos e políticos transformados em gestores se atribuem uns aos outros em lugares e cargos para que se nomeiam uns aos outros constituem nas circunstâncias actuais uma inominável agressão moral a quem, muitas vezes, é obrigado a cortar na satisfação de necessidades essenciais.

Marinho Pinto - Obrigatório ler na íntegra aqui.

Sábado, 28 de Janeiro de 2012

A pátria, estarrecida, assistiu, nos últimos dias, à declaração de pobreza do dr. Cavaco, e aos ecos dessa amarga e pungente confissão.

O gáudio e o apoucamento, a crítica e a repulsa foram as tónicas dominantes das emoções. Os blogues, aos milhares, encheram-se de inauditos gozos, e a Imprensa, grave e incomodada, não deixou de zurzir no pobre homem. Programas de entretenimento matinal, nas têvês, transformaram o coitado num lázaro irremissível. Até houve um peditório, para atenuar as suas preocupações de subsistência, com donativos entregues no Palácio de Belém. Porém, se nos detivermos, por pouco que seja, no dr. Cavaco e na sua circunstância notaremos que ele sempre assim foi: um portuguesinho no Portugalinho.

Lembremo-nos desse cartaz hilariante, aposto em tudo o que era muro ou parede, e no qual ele aparecia, junto de um grupo de enérgicos colaboradores, sob o extraordinário estribilho: "Deixem-nos trabalhar!" Cavaco governava pela primeira vez e os publicitários colocaram-no e aos outros em mangas de camisa arregaçadas. Os humoristas de serviço rilharam os dentes, de gozo, mas a época não era propícia à ironia. O País tornou-se numa espécie de imagem devolvida do primeiro-ministro: hirto, um espeque rígido, liso, um carreirinho de gente cabisbaixa.

O respeitinho é muito lindo: essa marca d'água do salazarismo regressava para um país que perdera a noção do riso, se é que alguma vez o tivera. Cavaco resulta desse anacronismo que fede a mofo e a servidão. É um sujeito de meia-tijela, inculto, ignorante das coisas mais rudimentares, iletrado e, como todos os iletrados, arrojado nas afirmações momentâneas. As suas "gaffes" fazem história no anedotário nacional. É um Américo Tomás tão despropositado, mas tão perigoso como o original.

Manhoso, soube aproveitar o momento vazio, no rescaldo de uma revolução que também acabou no vazio. Os rios de dinheiro provindos de Bruxelas, e perdulariamente gastos, durante os infaustos anos dos seus mandatos, garantiram-lhe um lugar de aplauso nas consciências desprotegidas dos portugueses. Este apagamento da verdade está inscrito, infelizmente, numa Imprensa servida por estipendiados, cuja virtude era terem o cartão do partido. Ainda hoje essa endemia não foi extirpada. Repare-se que, fora alguns escassos casos isolados, ainda não foi feita a crítica aos anos de Cavaco e das suas trágicas consequências políticas, ideológicas, morais e sociais. Há uma falta de coragem quase generalizada, creio que explicada pela teia reticular de cumplicidades, envolvendo poderes claros e ocultos.

A mediocridade da personagem é cada vez mais evidente. E se, no desempenho das funções de primeiro-ministro, foi sustentado pela falsa aparência de el dourado, devido aos dinheiros da Europa, generosamente distribuídos por amigos e prosélitos, como Presidente da República é uma calamidade afrontosa. Tornou o lugar desacreditante e desacreditado.

Logo no primeiro dia da sua entrada no palácio de Belém, o ridículo até teve música. Um país espavorido assistiu, pelas televisões, sempre zelosas e apressuradas, àquela cena do dr. Cavaco, mãos dadas com toda a família, a subir a rampa que conduz ao Pátio dos Bichos, e ao interior do edifício. Um palácio que não merecia recolher tal inquilino. Mas ele é mesmo assim: um portuguesinho no Portugalinho, um inesperadamente afortunado algarvio, sem história nem grandeza, impelido para o seu peculiar paraíso. A imagem da subida da ladeira possui algo de ascensão ao Olimpo, com aquelas figuras muito felizes, impantes, formais, intermináveis. Mas há nisto um panteísmo marcadamente ingénuo e tolo, muito colado a certa maneira de ser portuguesinho e pobrezinho: tudo em inho, pequenininho, redondinho.

Cavaco nunca deixou de ser o que era. Até no sotaque que não perdeu e o leva a falar num idioma desajeitado; no inábil que é; no piroso corte de cabelo à Cary Grant; no embaraço que sente quando colocado junto de multidões ou de pessoas que ele entende serem-lhe "superiores." Repito: ele não dispõe de um estofo de estadista, e muito menos da condição exigida a um Presidente da República.

O discurso da sua pobreza resulta de todas essas anomalias de espírito. Ele tem sido um malefício para o País. É ressentido, rancoroso, vingativo, possidónio e brunido de mente. Mas não posso deixar de sentir, por este pobre homem, uma profunda compaixão e uma excruciante piedade.

negócios online
b.bastos@netcabo.pt

Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

ao estado, a que esta gente(?) chegou…

passámos de preguiçosos intelectuais, ao estado de graça de, mentecaptos comatosos. dá-se uma volta – pequena, dado o perigo óbvio de contágio – pelas redes sociais e estarrece-se! o analfabetismo, a ignorância, a ligeireza e superficialidade dos grunhidos em forma de letra, a vacuidade dos assuntos que povoam os dois neurónios destes vegetais, confirmam a nossa total impossibilidade de, algum dia, virmos a ser uma gente decente.

num país onde se passa fome, no qual os seus cidadãos recorrem ao suicídio para resolver os seus problemas, preocupamo-nos com o perigo de extinção das libelinhas na papua. num país onde se rouba o presente e futuro dos seus cidadãos, organizam-se palhaçadas para ajudar o cavaco, em vez de o sentar no banco dos réus a prestar contas pela falência económica da nação, falência pela qual é o primeiro responsável. num país em situação de resgate financeiro, pede-se a uma câmara municipal para investir num grupo de pagode! desculpem lá o desabafo mas, foda-se tal gente!

isto não é jornalismo de sarjeta. é jornalismo invertebrado, feito por osgas

claro que as câmaras não se endividaram por causa do orçamento de estado de 2012. estão endividadas por gastarem muito acima das possibilidades dos cidadãos que as sustentam, por fazerem obras cujo principal interesse é inconfessável, por se terem transformado em empregadoras de gente dos diferentes partidos, em centros de trafego de influências, organizadoras de festejos para entretenimento deste gado adormecido e por aí fora.

a câmara desta aldeia de estarreja, entrou no lote das excessivamente endividadas. como tantas outras, mais uma a cavar o buraco em que este povo está metido. estamos a falar de uma aldeola, dita concelho, onde habitam cerca de 26.000 almas, o equivalente a uma pequena junta de freguesia de existência justificável. de notável e nos últimos anos, cobra os impostos à mais alta taxa prevista na lei, emprega 300 pessoas, mandou construir uma segunda ou terceira piscina, fez umas obras nos arruamentos de uma das freguesias, mandou tapar uns buracos nas outras, organizou uns carnavais e umas excursões de idosos, e perdeu 2.000 habitantes. ou seja, um puro desastre. não só a sua actuação, mas e principalmente, a sua existência, cuja só justificação, é a rapaziada que encosta aos bolsos dos contribuintes.

a famosa austeridade que nos está a tornar pedintes, não se aplica a câmaras, institutos, fundações e demais albergues desta rapaziada e assim, por maiores que sejam os sacrifícios, estes serão progressivamente maiores e quem os paga, mais pobre e infeliz. estes cornos mansos que continuam a eleger crápulas a troco de excursões, deveriam ser os únicos pagadores de todas estas irresponsabilidades que nos conduziram aqui. infelizmente, por serem pobres, não pagam nada. abrem bocas desdentadas para cuspir baboseiras tipo - p’ró ano cá ‘taremos otra vez!